"A Previdência não é um abacaxi". Essa é a nova visão do
ministro da Previdência Nacional, Garibaldi Alves Filho, após os três
anos em que está no comando da pasta. Durante o Encontro Estadual dos
Novos Prefeitos do Rio Grande do Norte, que ocorreu nesta sexta-feira
(3), em Natal, o ministro explanou as conquistas alcançadas durante o
período e aproveitou para fazer uma cobrança aos prefeitos: a criação
das previdências próprias pelas prefeituras. De acordo com Garibaldi, a
alternativa é benéfica para as cidades.
De
acordo com o ministro, o Rio Grande do Norte está entre os estados em
que menos cidades têm a previdência própria. Atualmente, só possuem o
instituto previdenciário Natal, Mossoró, Cel. João Pessoa, Doutor
Severiano, Alexandria, Macau, Patu, Rodolfo Fernandes, Felipe Guerra,
Itaú, Macaíba, São Gonçalo do Amarante e São Tomé. No Brasil, somente
1.990 cidades têm a própria previdência, que não tem criação
obrigatória. Mesmo assim, Garibaldi incentivou a criação.
"Não
estou obrigando nada. Ninguém é obrigado, podem ter certeza, mas seria
ótimo que mais cidades criassem suas previdências. O Rio Grande do Norte
é um dos estados que menos têm cidades com previdências próprias. (o
instituto próprio) É uma facilidade aos servidores públicos e também à
Prefeitura. Pensem sobre isso", disse o ministro aos prefeitos que
participavam do encontro.
Como
forma de incentivar os municípios, Garibaldi explicou a situação de
Mossoró. No encontro com os prefeitos, o ministro e a prefeita Cláudia
Regina assinaram um convênio garantindo que todos os recursos repassados
pelos servidores públicos ao INSS antes da criação da previdência
municipal serão devolvidos ao município no ato das aposentadorias. Os
recursos serão utilizados para fazer aporte ao fundo criados nas cidades
para o pagamento das aposentadorias dos servidores.
De
acordo com a assessoria do Ministério da Previdência, o convênio
precisa ser solicitado pelas prefeituras e, em seguida, a parceria é
encaminhada. "Esperamos que os prefeitos sigam os exemplos das cidades
que criaram suas previdências e que se acabe com esse mito de que os
fundos previdenciários municipais só são criados para que haja roubos, o
que não é verdade", disse Garibaldi.
Balanço
Fazendo
um raio-x sobre a situação da Previdência Nacional, o ministro informou
que há mitos sobre o Ministério e as reais condições da pasta. Segundo
Garibaldi, a Previdência é superavitária quando levada em consideração
os contribuintes das áreas urbanas. Porém, o ministro argumentou que os
benefícios necessários para os trabalhadores rurais fazem com que haja o
déficit.
"A Previdência é deficitária porque
existe uma aposentadoria que não pode ser negada, que é a do trabalhador
rural. Ela é especial e não contributiva, mas são esses recursos que,
muitas vezes, sustentam as famílias no interior em período que a
atividade econômica está prejudicada, como agora, onde são os mais
velhos que precisam sustentar os mais novos", explicou.
Além
dessas justificativa para o problema de déficit da Previdência,
Garibaldi também explicou que os benefícios anteriores concedidos a
funcionários públicos oneraram a folha de pagamento. Contudo, o ministro
garantiu que a presidenta Dilma Rousseff vem sendo sensível às
necessidades dos trabalhadores e, emocionado, disse que só permanece no
Ministério devido ao tratamento dado pela presidenta à necessidade dos
trabalhadores.
"Não há servidor de primeira ou
segunda classe. Se há teto, todos vão trabalhar esse teto. Quem ganhar
acima de R$ 4.159,00 vai ter que ter uma previdência complementar. Não
vai ficar o trabalhador com uma aposentadoria que é pequena e outro com
uma que o céu é o limite. Se não fosse assim, voltaria para o Senado",
disse Garibaldi.
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